quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Não Assim





Por princípios e a princípio eu aprecio o silêncio.
Mas não gosto do teu silêncio.
Não desta forma.
Não por este motivo que nem sei se quero saber.

Nina Victor




quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Feeling Sad


"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu"

palavras: Chico Buarque
imagem: Jeune Dame





Hoje eu não vou me aborrecer

Borboletas ao Contrário


Estou muito chateada. Uma droga ir dormir assim. Estava tudo tão bom. Por que sou tão vulnerável a simples palavras? O fato é que sou assim e não consigo evitar. Sofro com isso. Depois passa, eu sei. Mas o enquanto é que é fogo: corrói por dentro, incomoda, causa um desconforto geral. Dá vontade de sumir, de mandar tudo praquele lugar e depois cair num choro compulsivo e compulsório ("expulsório"). Uma merda ir pra cama assim...


terça-feira, 28 de novembro de 2006

Attention!






segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Quase angústia



Eu quero dizer o que sinto, com detalhes e nuances mas não encontro as palavras que formem a frase perfeita. Com isso fico confusa e falo compulsivamente, encho seus ouvidos com idéias, histórias, opiniões; eu me meto na sua vida, quero lhe trazer para a minha, mas ironicamente é minha porta que fica entreaberta, contrapondo-se à sua que me convida a entrar.




domingo, 26 de novembro de 2006

"O Homem Apaixonado" de Lílian Maial



Se você conheceu um homem apaixonado, verdadeiramente apaixonado,
você conheceu o que há de melhor nesse mundo.

É fácil e comum, nos dias de hoje, encontrar uma mulher apaixonada.
As mulheres parecem terem sido feitas para a paixão (ao menos é o que
nos dizem desde que nascemos). Mas homens, esses foram feitos para as
batalhas sangrentas do dia a dia, para as dificuldades financeiras, para a
luta pela sobrevivência, para o silêncio de sentimentos (assim pensa a
nossa sociedade).

Os homens foram tão massacrados de responsabilidades e estigmas de
carregar o mundo nas costas, que nem se deram conta de sua própria
necessidade de amor e paixão. Fingem tão bem não ligar, reduzem o
amor a conquistas, a disputas, a objetivos práticos a serem alcançados que,
assim que atingem tal objetivo, o objeto passa a não exercer o mesmo
fascínio.

Tudo bem, é por aí. Mas e quando Cupido decide flechar de verdade o
coração masculino? Como reage esse coração, tão pouco acostumado a
sofrer por amor, a manter alguém 24 horas por dia em seu pensamento?
Gente, é lindo! É tão lindo quanto ver uma criança dando seus
primeiros passos, ou vendo um passarinho dar seu primeiro vôo, ou como
namorados dando seu primeiro beijo.

Ele (o homem) é pego de surpresa e reage de forma surpreendente.

Torna-se vulnerável, emotivo, passa a prestar atenção em letras de
músicas, em flores, em poemas, em vitrines, em praças, em crianças.
Ele passa subitamente a gostar de lojas, de receitas, de moda e
perfumaria. Fica entendido em cremes e cheiros, em livros, em drinks.
Passa a ser expert em assuntos exóticos. Acorda e dorme cantarolando.
Isso tudo porque a amada tem seu mundo e é seu mundo.

O espelho passa a exercer atração. Geralmente muda o corte do cabelo,
a barba e o bigode (tira, se tem, deixa crescer, se não tem). Fica
vaidoso, sensível e bobinho. Adorável bobinho. Mas... esconde!
Ah, parece ser pecado se apaixonar!
Deve ser uma terrível gafe demonstrar sentimentos.
Aparentemente é condenável ser simplesmente humano.

Sabe aquela coisa do "lado feminino"? Balela. Não existe essa
dicotomia. Todos temos de tudo dentro de nós.
O poder, a beleza, o bem, o mal, o
masculino e o feminino, o yin e o yang.

Mas esse homem apaixonado passa a ser exigente, a ter carências e
vicissitudes. E se você souber manter essa chama acesa, souber lidar
com esse homem enfeitiçado, será uma mulher abençoada, porque ele é capaz
de tudo para ver você feliz.
Ah, esse homem não medirá esforços. Não haverá obstáculos capazes de
detê-lo na empreitada da sua felicidade. Ele acordará com a força de
um Hércules, a disposição de um atleta, a perseverança de um monge, e a
fragilidade de uma criança.

Acolha-o. Sinta-o. Mime-o. Ame-o.
Deixe-o sentir seu amor fluir.
Alimente-o de afagos, de agrados, de elogios.
Mostre a ele a correspondência de sentimentos, mas não o prenda.
Deixe-o livre para escolher você, escolher estar com você, preferir
você a qualquer coisa. Mas por vontade dele.

Creio que o erro de muitas mulheres é querer prender seu homem,
controlar seus passos, cercá-lo não de afeto, mas de desconfiança.
O homem apaixonado é seu. Está apaixonado, encantado, tem um mundo
novo e muitas das vezes não sabe lidar com ele.
Também fica inseguro, ciumento, quer agradar, quer inundá-la de
carinhos, mas quer manter sua habitual liberdade.

E em nome desse novo amor, desse sentimento que o fragiliza tanto,
talvez sufoque essa liberdade que sempre teve e que sempre foi-lhe ensinado
assim. Mas isso, com o tempo, certamente o deixará limitado e
cansado, levando a um desgaste no relacionamento.

Então, o que fazer?

Não há fórmulas. Não há receitas de bolo.
Há sim uma necessidade de entendimento, de espaço, de respeito mútuo.
Há que se lidar com a liberdade assim como se lida com a delicadeza
da paixão.
Há que se estabelecer limites. O outro é o outro, você é você.
Não se pode amar ao outro se não se ama a si próprio.
O outro não é seu espelho e nem seu ideal e objetivo.
Nada de se anular em função do amor.

Essa é a diferença entre a mulher apaixonada e o homem apaixonado.
Ele não ama menos, não sente menos, não sofre menos por amor.
Apenas ele sempre teve sua individualidade. A sociedade o permitiu
desde o início dos tempos, enquanto nós, mulheres, aos poucos vamos ganhando
terreno na igualdade de direitos, inclusive o direito de se amar, o
direito a seu espaço individual na relação a dois. "







sábado, 25 de novembro de 2006

Falling in Love

Ciranda



Eram dois imaginários.

Viraram dois terços reais.
Descambaram pra trindade.
Sobraram dois.
Conviveram três.
Voltou um.
E o quaternário se fez.
Houve uma dispersão.
E de novo, uma re-união.
A três, a dois, alternadamente.
A quatro não mais.
A desesperança sumiu com um.
O ciúme matou os dois.
O desengano feriu os três.
E a solidão tortura os quatro.

Nina Victor


E para as minhas necessidades...

Poema de Pedro Paixão



" Queres saber quem sou?

Eu sou a que te olha e espia p
ara te recolher
e depois guardar
num lugar que é só meu.
Para isso serve o papel.
O resto não precisas saber.
Nem convém.

Só te ia distrair,
podes crer.
Eu sou a que mergulha as mãos na tua vida
para sentir a minha voltar."


sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Holograma



Havia algo de ti
em todos os cantos do Rio:
tua imagem holográfica
permeava a cidade
nesta manhã de sexta-feira...

Nina Victor


Recadinho







Preciso dizer:
Eu adoro você!
(e morangos também)



quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Just a Suggestion

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

O Último Carinho



Ninguém jamais mexeu no meu cabelo como ele.
E agora a pouco, enquanto eu jogava mahjong e sentia a suavidade dos carinhos que eu recebia, pensamentos de morte me vieram à mente. E pedi para ele, com lágrimas nos olhos, lágrimas que ele não viu, que se eu morrer antes dele, antes de fecharem meu caixão, gostaria que de receber o mesmo carinho deste momento, para que esta fosse a última lembrança da vida, a sensação que eu levaria para sempre comigo...


terça-feira, 21 de novembro de 2006

Faltam Dez Por Cento



Por que não consigo implementar os dez por cento que me faltam?
Será não ser permitido ser/ter cem por cento do que se quer na vida?!
Por que tenho/sou o que é mais difícil e não tenho sucesso naquilo mais simples?


segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Totally Crazy

Muito Sutil...

Martelando






O pensamento não cessa
não dá uma trégua...
Só dá você.

Nina Victor

domingo, 19 de novembro de 2006

Escrito nas Estrelas



Hoje subi para a minha página do Multiply o vídeo da Tetê Espíndola cantando "Escrito nas Estrelas". Esta música me lembra coisas muito boas, uma fase totalmente diferente de todas as que tive na vida, onde a descoberta de um mundo inteiramente novo para mim me proporcionou alguns dos momentos mais felizes que já vivi.
Foi nesta época que aprendi a ser feliz dentro da simplicidade, com um pouco de transgressão, muita cumplicidade e amigos para todas as horas.
E "Escrito nas Estrelas", alguém cantou pra mim, na Rodoviária de São Paulo, enquanto eu entrava no ônibus para voltar pro Rio de Janeiro, após um mágica viagem à São Thomé das Letras/MG. E não foi cantada ao pé do ouvido não... foi cantada bem alto, pra todo mundo ouvir. Meu sorriso não cabia em meu rosto e meu coração nem quis vir comigo, ficou por lá mesmo, em Sampa...


The Sound Of Music

The hills are alive
With the sound of music,
With songs they have sung,
For a thousand years.
The hills fill my heart,
With the sound of music.

My heart wants to sing every song it hears.
My heart wants to beat like the wings
Of the birds that rise from the lake
To the trees.
My heart wants to sigh
Like a chime that flies
From a church on a breeze,
To laugh like a brook when it trips and falls
Over stones on its way,
To sing through the night,
Like a lark who is learning to pray.

I go to the hills
When my heart is lonely.
I know I will hear
What I heard before.
My heart will be blessed
With the sound of music
And I'll sing once more.


sábado, 18 de novembro de 2006

O Que Será - Chico e Milton

Esta música tem sido a trilha sonora dos meus dias.
E você é o responsável por isto...



De Fernando Pessoa



... serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta

ao pé de uma parede sem porta...





sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Touch by Ivan M. Granger



I begin
to know
your touch,
Beloved.

Sometimes
you caress
the hidden places
of my delight.

Sometimes
you kiss
my forgotten
scars.


quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Prenúncio de Tempestade



De repente fiquei triste.
O lance do querer e não ter.
Meu céu interior escureceu de uma hora pra outra.
É... vai chover.

Nina Victor


Arte de PACotesMAN

Love & Passion

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Vício


Viciei no tom
no ritmo
nas pausas
nas risadas
nos suspiros
nas palavras
nos silêncios

Nina Victor


Hearts Just Know

Some days I simply...

domingo, 12 de novembro de 2006

Are You Afraid to Play?



Play is as essential to the aged as it is to the young.
I count that day lost when I am not moved to tears or laughter,
but even more if I have not played.

George Sheehan


Dúvida



E logo eu que sempre fui noturna,
no meu modo de ser e nos meu prazeres,
venho desejando e ansiando pelo Sol.
Mas como nunca me interessei pelo dia
não sei como me comportar diante de tanta luz...
Devo me proteger e na sombra permanecer
ou deveria me entregar e sentir o seu calor?

Nina Victor



sábado, 11 de novembro de 2006

Totally Agree

Na minha cabeça...

Prestatenção!!!

Ufa!


Recebi tanto carinho e delicadezas ontem à noite que não teve jeito: hoje acordei bem, com vontade de dizer bom dia e desejar um divertido final de semana para todo mundo. Até mesmo o Sol saiu e aquele tempo terrrível de ontem foi embora. Graças ao seu afeto e a sua atenção o tempo feio sumiu: do céu e de dentro de mim! :)



sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Cara feia e não é fome



A "cara feia" e a "tromba" ainda não foram embora... é bem raro eu me sentir assim, com mau-humor duradouro. Eu sou uma pessoa "estouradinha", "sem pavio", mas daquelas que no instante seguinte do desabafo já está na boa, sem ressentimentos ou rancores. Porém, há alguma coisa me incomodando e eu não estou sabendo identificar. Daí essa sensação horrorosa estar atrevessando o dia e as minhas emoções. Cadê luz para que eu identifique o motivo disso tudo?! Não posso e não devo continuar a me sentir assim. Isso fal mal. Muito mal. Causa doenças. E eu tenho pavor de ficar doente.


Grrrr



Acordei de mal com o mundo hoje.
Mau-humor, irritação, falta de vontade de seja lá o que for.
A não ser voltar pra cama e dormir.
Preciso reverter esta situação ao longo do dia.
Uma droga me sentir assim.




quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Flower Letter

De Kai-hui sobre a infidelidade de Mao Tse-tung



Aprendi muito mais coisas e, aos poucos, vim a compreendê-lo. Não apenas ele, mas a natureza humana em todas as pessoas. Aqueles que não tem defeitos físicos devem ter dois atributos. Um é o impulso sexual e o outro é a necessidade emocional de amor. Minha atitude foi deixá-lo em paz e esquecer.




De Mao Tse-tung para Kai-hui



Mágoa, empilhada sobre o meu travesseiro, qual é tua forma?

Como ondas em rios e mares, te revolves sem parar.
Quão longa a noite, quão negro o céu, quando a luz se fará?
Inquieto, sento-me, camisola jogada sobre os ombros, no frio.
Quando a manhã chegou afinal, restavam apenas cinzas de meus mil pensamentos...




Good Morning!

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Rasputin


O monge Grigori Rasputin, assassinado em 1916, foi um dos personagens mais enigmáticos e espantosos do período que antecedeu a Revolução Russa de 1917. Era uma mistura de homem santo milagreiro com o charlatanismo, que, sem ter formalmente nenhum cargo no governo imperial russo, exerceu uma enorme influência na última fase de vida da dinastia Romanov.

Um casal em desespero

"Em Rasputin, a monarquia, condenada e agonizante, encontrou um Cristo feito à sua imagem e semelhança."
Leon Trotsky, 1930

Na noite de 16 de dezembro de 1916 o Príncipe Youssoupov ergueu novamente sua taça. Mais um brinde. A figura que começava a cambalear em sua frente empinou o cálice e sorveu tudo de um só vez. Seus cabelos negros desgrenhados esparramavam-se pelos ombros e entre a barba, e a testa brilhavam seus poderosos olhos cinzentos, "olhos de lobos" como diziam, que já estavam um tanto embaçados. O monge Grigori Rasputin privava com os grandes da Rússia. Desde que uma aia da corte o havia apresentado a czarina Alexandra Fedorovna, por volta de 1905, ele se tornara a eminência parda da autocracia.

A corte em São Petersburgo era pródiga com os advinhos, os ilusionistas, os hipnotizadores e os charlatães de todas as espécies que encontravam junto ao casal real uma simpática acolhida. Quando mais o regime era isolado e odiado pela multidão, mais Nicolau II e sua mulher se cercavam de gente estranha, apelando crescentemente para o sobrenatural e para as forças do além. Rasputin, porém, foi diferente dos demais, pois ele ultrapassou todos os limites. O czarevitch, o jovem príncipe, era hemofílico e seus pequenos acidentes colocavam a família em polvorosa. A czarina se contorcia em culpas. A própria doença do herdeiro de certa forma já prenunciava o fim da dinastia. Foi numa daquelas crises terríveis, com o menino quase agonizante ao leito, que brilhou a estrela de Rasputin.


As origens de Rasputin

Vindo da Sibéria, onde nascera em 1869, em Tobolks, com a fama de milagreiro, o starets Grigori Rasputin havia pertencido à seita dos Khlysty ou "flagelantes", desenvolvendo um notável dom de magnetizar e impressionar as pessoas. Camponês rude e semi-analfabeto, era visto no palácio real como uma força viva da natureza e lídimo representante da Santa Rússia. Com enorme concentração e uma profusão de preces ditas num idioma incompreensível, ajoelhado ao lado do leito do garoto, Rasputin conseguia fazer sempre que o adoentado se recuperasse. Para a família real ele passou a ser um enviado de Deus.

A sua consagração frente aos soberanos - como homem santo oficial - fez com que cessassem os seus tempos de peregrinação, fome e vagabundagem. Doravante estaria à disposição dos monarcas a qualquer momento. Não demorou muito para que aquele homem esperto e vivo tirasse todo o proveito possível daquela situação. Na constante troca de bilhetes de Alexandra com o marido, zelosamente coletados pela polícia secreta do próprio czar, ele é referido como "o Amigo". Não havia nomeação, transferência ou decisão importante a ser tomada por Nicolau II sem que ela rogasse que "escutasse o Amigo". Sabe-se que geralmente com sucesso.


Um bruxo no poder

m pouco tempo a capital tomou ciência da importância do "profeta". Ministros, generais, os grandes do império, aventureiros, bajuladores e oportunistas de todos os calibres enfileiravam-se atrás do bruxo para conseguir algum favor real. Nunca se soube ao certo qual era o critério das escolhas de Rasputin. Os relatórios que o casal recebia narravam intermináveis aventuras amorosas e um sem fim de bebedeiras, mas isso em nada afetava o seu prestígio. Ao contrário, estar de bem com o starets era adoçar a boca dos monarcas. Nenhuma das intrigas em que envolviam Rasputin tinham o poder de abalar a confiança cega que ele despertara em Alexandre e Nicolau. O fato é que o enorme império dos Romanov, o maior em extensão em toda a Terra, passou a ser indiretamente regido por um bruxo.


Os desastres da guerra

om a entrada da Rússia na guerra de 1914, sua influência aumentou ainda mais. Especialmente porque ele havia manifestado sua contrariedade em fazer a guerra contra as potências centrais (a coligação do Império Austro-húngaro com o Império Alemão). Quando as derrotas começaram a avolumar-se no fronte, os maus presságios de Rasputin foram lembrados. Entrementes, conforme o país afundava no desastre e no desespero, os cortesãos mais próximos do czar passaram a não poder mais suportar as intromissões de Rasputin na condução dos negócios. Além disso a imagem de um bruxo agindo nos bastidores, aparentemente conduzindo o país numa guerra devastadora, depunha contra a seriedade da monarquia. Alguma coisa tinha que ser feita. Depois de ter assistido na Duma, o parlamento russo, um contundente discurso de um deputado da extrema-direita chamado Purishkevitch, denunciando as forças ocultas que estavam manipulando a monarquia, numa clara alusão a Rasputin, o príncipe Félix Youssoupov o procurou para participar num plano. Além deles, havia ainda um oficial de nome Sukhotin, e um médico, o doutor Lazovert, mas a figura mais impressionante era o grão-duque Dmitri, da própria família real.


A trama para assassinar Rasputin

Os conspiradores imaginaram então um ardil. O príncipe Félix Youssoupov era casado com a sensual Irene Alexandrovna, uma das maiores beldades da corte e nada menos do que sobrinha de Nicolau II. Rasputin a viu certa vez na ópera e encantou-se. Para atrai-lo ao seu palácio, situado sobre o canal do Mojka, um dos diversos condutos que levava ao Rio Neva, em São Petersburgo, Youssoupov prometeu que a apresentaria ao iluminado. Um pouco antes, no entanto, levando-o ao porão, desejava propiciar-lhe alguns regalos. Nada daquilo pareceu estranho a Rasputin. Foram incontáveis as vezes que homens poderosos ofereceram-lhe as esposas em troca de benesses e cargos. Só que desta vez os seus doces favoritos que Youssoupov lhe ofereceu numa bandeja estavam encharcados de cianureto.


Uma surpresa para os conspiradores

Depois de uma série de brindes com vinho também envenenado o bruxo arriou. Caiu sobre um sofá, resvalando para o chão. Youssoupov acreditando-o morto, comunicou o resultado aos conjurados que o aguardavam no andar de cima do palácio. Repentinamente ecoou um grito terrível. Era o próprio Youssoupov assustado ao deparar-se com Rasputin erguendo-se do chão onde o presumira morto. Havia nos doces veneno suficiente para abater um cavalo. Calculou-se depois que as quantidades colossais de bebida que ele ingeria regularmente neutralizaram em parte a ação da mortífera poção que lhe deram. Atendendo ao chamamento do príncipe, que chegou a disparar por duas vezes em Rasputin, Vladimir Purishkevitch, desceu com o revolver em punho e , de imediato, descarregou-o sobre o corpanzil de Rasputin, que naquela altura ensaiava uma fuga. Não antes, porém, de tentar esganar com suas poderosas mãos o pescoço de Youssoupov.

Amadores, os conjurados quando se desfizeram do cadáver jogando-o num buraco feito na crosta enregelada do rio Neva, esqueceram-se de colocar-lhe uns pesos aos pés. Três dias depois, a polícia o encontrou. A czarina fez questão, na véspera do Natal, dia 24 de dezembro, de prestar-lhe uma homenagem fúnebre em completo segredo. Deram o óbito como morte acidental.


As seqüelas da morte do bruxo

Dada a alta linhagem dos envolvidos no assassinato, Nicolau II resolveu apenas puni-los com desterros benignos. O estrago à imagem da monarquia porém foi irrecuperável. No Natal seguinte, o do ano de 1917, o czar e toda a sua família estavam presos e, apenas quinze meses depois da retirada do corpo de Rasputin das margens do Neva, Nicolau II, a czarina e os filhos, foram passados pelas armas no dia 17 de julho de 1918, na cidade de Ekaterinburg por um comando de execução bolchevique, liderado pelo camarada Yurovsky. O fim brutal do bruxo, de certa forma, foi a antecipação, ainda que em dimensão bem menor, do que aguardava os últimos dos Romanovs.

Hoje, na Rússia pós-comunista, esboça-se entre os grupos de extrema-direita nacionalista um movimento de resgate da figura de Rasputin. Acreditam-no um tipo puro, o "bom selvagem" siberiano, místico e supersticioso, não contaminado pelos ideais racionalistas do Ocidente, um "russo puro", ao modo de Dostoievski, que a seu modo tosco tentou preservar a Santa Rússia das desgraças.


Fonte: http://educaterra.terra.com.br




Aviso - Jenny Joseph



Quando envelhecer vou usar púrpura

com chapéu vermelho,
que não combina
nem fica bem em mim.
Vou gastar a pensão em uísque
e luvas de verão
e sandálias de cetim -
e dizer que não temos
dinheiro para a manteiga.

Vou sentar na calçada
quando me cansar e
devorar as ofertas
do supermercado,
tocar as campainhas

e passar a bengala nas grades das praças
e compensar toda a sobriedade da minha juventude.
Vou andar na chuva de chinelos,
apanhar flores no jardim dos outros
e aprender a cuspir.

A gente pode usar camisas horríveis e engordar,
comer um quilo de salsichas de uma vez
ou só pão com picles a semana inteira
e juntar canetas e lápis e bolachas de cerveja
e coisas em caixinhas.

Mas agora temos que usar roupas que nos deixem secos,
pagar aluguel, não dizer palavrão na rua
e ser bom exemplo para as crianças.
Temos de ler o jornal e convidar amigos para jantar.

Mas quem sabe eu devia treinar um pouco agora?
Assim os outros não vão ficar chocados demais
quando de repente eu for velha e usar vestido púrpura.

In Quando envelhecer vou usar púrpura, organizado por Sandra Haldeman Martz, tradução de Lya Luft, Ed. Marco Zero, São Paulo, 1997, p.13.






terça-feira, 7 de novembro de 2006

Nós :)

Arc-en-ciel: arte de Anne Julie


Mind The Gap!

Coisa Tua - Alice Ruiz


assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei
alguma coisa tua


domingo, 5 de novembro de 2006

Padme, mãezinha te ama...



Estou tão triste...
As gatinhas tomaram vacinas ontem a tarde e hoje a Padme está passando mal. Minha gatinha-ratinha nem consegue andar direito, está com o pelo arrepiado, não quis comer ou beber água e quando a gente tenta pegá-la no colo ela geme de dor. Tá toda encolhidinha e quietinha. Liguei para a veterinária e ela mandou dar três gotas de Tylenol pediátrico de oito em oito horas, mas também não deu muita atenção ao que eu disse... Fico arrasada de ver um bichinho que nunca fez mal pra ninguém sofrendo com dores. Não consigo parar de chorar e pedir a Deus que alivie minha gatinha das dores o do que seja que a esteja deixando tão caidinha... Eu me sinto incomodada por não saber o que fazer para ajudar a Padme...


sábado, 4 de novembro de 2006

Cecília Meireles



Aqui está minha vida.

Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento.
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento.


Mais Clarice Lispector



"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."



O que não tem juízo



(...) O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia (...)

(o que será - a flor da pele)




sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Hilda Hilst

Coração Ateu - Maria Bethânia

Enciumada



Sinto ciúmes das disponibilidades alheias
Da falta de medo e de impedimento,
Da segurança e do olho-no-olho.

Sinto ciúmes das intenções,
Do petisco compartilhado,
Das bebidas, dos cigarros.

Sinto ciúmes da atenção e dos planos,
De cada risada, de cada argumento,
Dos telefonemas e das parcerias.

Sinto ciúmes de cada entendimento,
Do beijo no rosto e do abraço dado,
do "vamos nos ver outro dia"...

Nina Victor


quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Meu Supremo Amor: Durga

I guess...