sexta-feira, 19 de maio de 2006

Passarinho Urbano


Quando li que Tania havia morrido, gelei. Não tínhamos uma amizade estreita mas éramos boas online buddies. Havia respeito e admiração entre nós. Ela era expansiva, tinha um sorriso largo e sempre presente nas fotografias que postava. Mostrava não só a si mesma como também o marido, os filhos, o cachorro, o local de trabalho, enfim, era uma pessoa aparentemente de bem com a vida, que gostava de seu trabalho, do marido e dos filhos. Lembro-me que assim que começamos a ser contato, a achei exibida. Depois, percebi que havia sido um julgamento preciptado e errôneo de minha parte. Ela era apenas uma mulher-criança com jeito de adolescente querendo viver a vida ao máximo e compartilhar com pessoas queridas os bons momentos e as coisas belas que seus olhos captavam através da lente de sua máquina fotográfica... sua página era cheia de cores, flores e insetos, belas macros e muitas, muitas fotos de seu sorriso... Ela estava cada vez melhor na fotografia, estava aprendendo e melhorando, de verdade. Também gostava de brincar com o photoshop e fazia progressos em suas experiências. Pois bem, estava tudo assim, na boa e alto astral, pelo menos aparentemente, quando veio a notícia de seu falecimento. Havia morrido às dez horas da manhã do dia 17 de outubro de 2006 enquanto fazia uma sessão de quimioterapia. Quimioterapia! Tania tinha um câncer e eu e muitos outros jamais soubemos! Como será que ela sustentava aquele sorriso e o entusiasmo com a vida? De onde vinham as forças? A luz? A delicadeza? Fiquei e de certo modo ainda estou muito abalada e assustada com o acontecido. Fico pensando em seu casal de filhos, pré-adolescentes, que numa fase tão difícil da vida se vêem privados prematuramente da companhia da mãe... e de uma maneira tão abrupta, tão dura, tão inesperada. Que Deus dê alento e carinho para a família e muita paz para o espírito de Tania. E tenha piedade de todos nós que por cá ainda estamos, vivendo, aguardando o dia do nosso desenlace.